quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Mudança de paradigma

Finalmente acabou. Durante dez anos, tantos quantos levo de colaboração com o Barcelos Popular, pugnei com a força da palavra escrita pela consciencialização do povo de Barcelos contra a (des)governação autista de Fernando Reis. Agora que o reinado acabou, não posso deixar de manifestar a minha satisfação pessoal pelo despertar do povo de Barcelos que, tarde mas em boa hora, expressou, pela democracia do voto, um rotundo Basta! ao homem que, durante 20 anos, tal como referi em anterior artigo, governou com mestria a sua fortuna pessoal, relegando a governação municipal para actividade secundária com os prejuízos que saltam à vista para Barcelos e para os barcelenses.
Outros factores terão influenciado o resultado eleitoral, mas julgo que nenhum com tanto peso como a concessão da exploração das redes de água e saneamento do concelho à empresa Águas de Barcelos.
O povo fartou-se de estradas esburacadas por períodos injustificáveis, de aumentos obscenos do preço da água e da imposição da ligação aos ramais com custos exorbitantes. O culpado tinha um nome -
Fernando Reis - e um rosto, que, apesar de desgastado, povoou as bermas das estradas e as caixas de correio dos barcelenses, em cartazes, panfletos e brochuras várias de despudorada auto satisfação pela “obra“ feita. O povo penalizou a falta de vergonha e, de forma sensata, escolheu para presidente da Câmara o candidato, esse sim, melhor preparado para inverter o “estado de coisas” em Barcelos. Um candidato em boa hora escolhido por Domingos Pereira, grande obreiro desta vitória de Barcelos contra os interesses pessoais e institucionais instalados.
Mais que uma mudança de cor partidária, ou de rostos, acredito convictamente que assistimos Domingo a uma mudança de paradigma. Com a liderança de Miguel Costa Gomes e a implementação do programa que o Partido Socialista apresentou ao eleitorado, Barcelos vai finalmente abandonar uma política autárquica de inércia e pouca transparência para entrar na senda do desenvolvimento sustentado.

2 comentários:

  1. O caso de Barcelos é paradigmático a vários níveis:

    Barcelos teve durante anos um presidente que foi eleito de forma democrática. Votei várias vezes (PSD) e nunca me apontaram uma arma para o fazer. É um abuso dizer “a liberdade está a passar por aqui”. Como barcelense, sinto ofensa com títulos de jornais desta categoria (!).

    Aliás, por haver liberdade na minha terra, é que ainda hoje em Lisboa, há quem se lembre do Caso Mateus, do Encerramento da Maternidade e do Caso Alexandra. Se houve neles algum aproveitamento político? Claro que sim! Mas o Presidente agora cessante também tem obra feita. E só por isso merece uma palavra de gratidão dos barcelenses. É justamente por encarar a política desta forma, que desejo que o vencedor das eleições (2009) faça um bom trabalho.

    Foi graças à liberdade, que os barcelenses puderam escolher um candidato que lhes pareceu ser melhor que o Dr. Fernando Reis. Sou simpatizante do PSD, mas votei em branco nestas eleições. Defendo a limitação de mandatos e sou completamente contra quem se “agarra ao poder”. Mas não posso aceitar que à pala de uma pseudo-ética jornalista, se publiquem notícias altamente tendenciosas.

    Um primeiro-ministro que nunca esclareceu como obteve a sua licenciatura, que dá Magalhães às crianças mas esquece que no mesmo país há 2 milhões de pobres, que criou a iniciativa do cheque de 200€ para dar às crianças quando estas só tiverem 18 anos (apesar de liberalizar o aborto), que fica indiferente a um Vítor Constâncio “palerma” que permitiu toda a trafulhice no BCP, BPN e BPP, que encerra maternidades públicas com menos de 1500 partos/ano (mas esquece que há várias maternidades privadas nessa situação e em pleno funcionamento)… não merece a confiança dos portugueses. Pelos vistos há quem não pense assim:
    http://www.youtube.com/watch?v=MqIHTqjLcOc
    O futuro dirá se estou enganado.

    A democracia não será 100% verdadeira, enquanto votarmos nas legislativas sem saber quem vão ser os ministros.
    Do mesmo modo, “levar alguém para a Câmara” não pode ser aceite com indiferença (http://www.barcelos-popular.pt/?zona=ntc&tema=5&id=2303). Mas lá está, estes jornalistas já nos habituaram a visões facciosas da realidade.

    Durante os últimos tempos, viveu-se em Lisboa uma situação de difícil governação porque o PS ganhou a Câmara e o PSD ganhou a Assembleia. Pois bem, um jornal que não explora uma situação idêntica e que não poupa meios para “deitar abaixo” um dinossauro do Cretáceo, apesar de ficar indiferente a dois dinossauros do Jurássico bem perto de nós, só pode significar que o milagre da Rainha Santa Isabel está ainda muito actual!

    Por tudo isto, é que eu acho que em Barcelos, há muito quem seja semelhante ao Dr. Fernando Reis. A diferença é que andam “vestidos” de verde e “auto-intitulam-se” (demagogicamente) de populares…

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  2. Miguel Costa Gomes tem grandes amigos:

    http://www.publico.clix.pt/Sociedade/jose-lello-e-antonio-braga-acusados-de-negociar-cargos-em-troca-de-financiamento-partidario_1402237

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