quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O fim não justifica todos os meios

O presidente da Câmara de Barcelos, Fernando Reis, segundo o arquitecto Pulido Valente, alterou, “à boa maneira portuguesa, vigarista”, a designação do projecto de recuperação do edifício dos Paços do Concelho, de modo a conseguir fundos comunitários para a realização daquela obra.
A forma violenta, ou frontal, como Pulido Valente qualificou o comportamento de Fernando Reis, não mereceu condenação por parte do Tribunal de Barcelos, onde correu um pedido de indemnização do autarca por danos não patrimoniais.
Reis não conseguiu os 50.000 euros que pedia porque, entendeu o Tribunal, as acusações do arquitecto portuense tinham por base factos que as sustentavam.
É certo que Reis poderá recorrer da sentença judicial para instâncias superiores, mas, ainda assim, parecem não restar dúvidas de que, com o fim de conseguir o dinheiro para as obras de restauro da Câmara, foi feita uma habilidade com as designações do projecto e fundamentações da candidatura ao II Quadro Comunitário de Apoio (QCA).
Perante a impossibilidade de enquadrar as ““Obras de recuperação e beneficiação do edifício dos Paços do Concelho” no II QCA, Reis terá então ordenado a mudança de nome do projecto para “Reabilitação do Centro Histórico de Barcelos – Restauro e Renovação do Edifício do Antigo Hospital do Espírito Santo”. E assim, desta forma habilidosa, foram obtidos os fundos comunitários para a construção de um “equipamento sócio-económico” de “apoio à actividade produtiva”, apesar de a obra consistir na renovação, no restauro e na ampliação do edifício dos Paços do Concelho.
Diria que, nesta história, “não é o fim que é interessante, mas os meios para lá chegar”.
A intervenção nos Paços do Concelho ficou agradável, o que, numa perspectiva maquiavélica, poderia legitimar o meio utilizado para a satisfação do fim. Mas, a meu ver, e citando o filósofo francês Albert Camus, “há meios que não se podem justificar”.
A Reis, e a quem nesta matéria lhe dá o seu beneplácito, lembro simplesmente as palavras de Dwight Eisenhower: “um povo que valoriza os seus privilégios acima dos seus princípios, cedo perde os dois”.