O nepotismo está intrinsecamente ligado à Igreja Católica. Chamava-se “nepote” ao sobrinho do Papa. Os Papas não tinham filhos (pelo menos oficiais) mas tinham sobrinhos que nomeavam para os mais altos cargos da Cúria Romana.
Sem separação entre público e privado, nas monarquias católicas o nepotismo era prática corrente. O reino pertencia ao Rei e tudo era permitido ao monarca.
Exemplo maior de nepotismo verificou-se com Napoleão Bonaparte. O imperador distribuiu tronos pelos irmãos e generais amigos: José foi coroado rei da Espanha; Luís, rei de Nápoles; o general Bernadotte deu início, na Suécia, à dinastia com o seu nome, que ainda hoje ocupa o trono sueco.
Méritocracia é um conceito desconhecido em meios onde o que interessa é o poder não como meio para atingir o fim da defesa do interesse colectivo, mas sim como meio para atingir objectivos e satisfazer interesses pessoais de quem o exerce e do seu séquito.
Também em reinos de hoje se vão distribuindo benesses familiares e preparando sucessões dinásticas. De resto, na linha da feudal normalidade, em nome de Deus... e de alguns homens.
Não admira por isso que o Rei já tenha determinado como seu sucessor no trono o príncipe herdeiro, que para já irá combater em terras de mouros para se tornar digno da investidura.
E o séquito, para já, é unânime no apoio à decisão do seu senhor.
Deixo um conselho ao Rei: Não se iluda. O povo come tudo o que lhe dão, mas os abusos normalmente conduzem a indigestões. E não se esqueça que os ratos juntam-se todos em volta da prosperidade alimentar, mas quando o barco começa a meter água são os primeiros a fugir, em busca de lugar mais seguro onde se possam alimentar.